segunda-feira, 27 de junho de 2011

CONTOS AFRICANOS: UMA REALIDADE
TÃO PRÓXIMA À BRASILEIRA

Uma boa oportunidade a leitura do livro "Constos africanos dos países de língua portuguesa" de Albetino Bragança et al, organizado por Rita Chaves e ilustrações de Apo Fousek, da Editora Ática, de 2009. Um livro leve, fácil de ler, mas com contos que realmente retratam a realidade de vários povos da África, sobretudo de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola, todos com a lingua portuguesa oficialmente utilizada pelas nações.



A professora de Literatura Africana de Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo, Rita Chaves (também organizadora da coletânea), faz a apresentação da obra e nos chama a atenção para o necessário conhecimentos da realidade dos países africanos, tão próximos historicamente do Brasil, além de terem o português como língua oficial. Para ela pode-se "aprender com a leitura desses contos: se simulatridades podem nos aproximar, diferenças não precisam nos afastar. O encontro será mais sólido se o conhecimento ajudar a combater os preconceitos e outros fantasmas. E a leitura é um bom caminho".

Os contos apresentados na coletânea são de autores já famosos daqueles países como Mia Couto, Luís Bernado Honwana e Nelson Saúte (Moçambique), Teixeira de Sousa (Cabo Verde), Boaventura Cardoso (Angola) e outros. Esses autores, na verdade, retratam os vários momentos da história recente dos países africanos, principalmente da luta dos africanos pela sua independência política-econômica de Portugal, na década de 1970 em diante. E por outro lado, as estórias registram as tradições e costumes das aldeias africanas, além da realidade sócio-cultural e natural das regiões.

É o caso do triste conto "O dia que explodiu Mabata-bata", de Mia Couto. A partir da história de uma criança órfã, chamada Azarias, descreve-se as pequenas tragédias da guerra civil vivida pelo povo ao longo dos dezesseis anos em Moçambique. A miséria, o sofrimento, a solidão, o desconsolo é vivido pela criança pastora, quando uma rês sofre uma explosão de uma mina terrestre (herança da guerra). Como enfrentar seu patrão (tio Raul) que tinha naquela rês o dote para um próximo casamento? O conto pecorre as agonias do menino, a perseguição do tio e a realidade melancólica de um órfão em Moçambique, que ao final foi salvo graças à presença perseverante da avó Carolina! Uma realidade tão próxima dos meninos abandonados do Brasil!

Outros contos retratam o preconceito racial ainda tão presente em Moçambique (As mãos dos pretos), o dia-a-dia da revolução (O enterro da bicicleta), o cotidiano inverossímil da seca (como no Brasil) em Cabo verde (Dragão e eu), a divertida vida do negro Mento Muala de São Tomé e Príncipe, vida tão parecida com a dos nossos mulatos da Bahia de Jorge Amado. Há também os contos que retratam a vida escolar das crianças de Angola como em "Nós chorávamos pelo Cão Tinhoso" e "Zito Makoa, da 4ª classe". A última estória traz um colorido muito próximo de nossas escolas públicas. A estória se passa com o aluno Zito Makoa e seu amigo Zeca, parceiros em mais uma situação embaraçosa: um castigo sofrido pelo Zito, devido à um bilhete escrito por ele, uma briga com seus colegas de classe e as palmadas do diretor! Mas ao final do conto, o colega Zeca afaga o amigo injuriado: o bilhete que entregara não era o real, que tinha a valiosa e revolucionária mensagem para a época da guerra civil: "Angola é dos angolanos"!

Para mim, a leitura do livro Contos Africanos marcou pois me fez refletir o quanto o Brasil se assemelha a áfrica em muito dos aspectos sendo uma comovente prova histórica: como as nossas raízes culturais estão presentes naquelas estórias da África e por elas, podemos viajar pelo interior do continente negro! Para maiores reflexões aconselho também uma pesquisa mais profunda e para isso fica aqui sugestões de sites:
http://www.tg3.com.br/africa/
http://issuu.com/grafset/docs/02_-_unidade_1/1
http://eudesenholetras.wordpress.com/2008/09/15/a-historia-e-a-cultura-da-africa-e-suas-implicacoes-com-a-cultura-brasileira-na-atualidade/

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